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Título:  
  O Pavor da Carne - Riscos da pureza e do sacrifício no corpo-imagem contemporâneo
Autor:  
  Maria Paula Sibilia   Listar as obras deste autor
Categoria:  
  Teses e Dissertações
Idioma:  
  Português
Instituição:/Parceiro  
  [cp] Programas de Pós-graduação da CAPES   Ir para a página desta Instituição
Instituição:/Programa  
  UERJ/SAÚDE COLETIVA
Área Conhecimento  
  SAÚDE COLETIVA
Nível  
  Doutorado
Ano da Tese  
  2006
Acessos:  
  1.064
Resumo  
  Esta tese procura discutir algumas idéias; imagens e vivências do corpo humano na sociedade ocidental contemporânea. Para isso; parte de um aparente paradoxo: aquele que consegue conjugar uma adoração exacerbada e um violento desprezo pelo corpo no mundo atual. Por um lado; último refúgio da subjetividade e expoente visível do que cada um é; exige cuidados e é cultuá-lo sem pausa. Por outro lado; finita e teimosamente imperfeita; a materialidade da carne não deixa de incomodar e suscitar rejeições. Este conflito merece ser analisado à luz do contexto histórico; político e sócio-cultural que o torna possível: um planeta interconectado pelo capitalismo globalizado dos inícios do século XXI; capaz de gerar (e vender) doses inusitadas de excesso e de falta ao mesmo tempo. A ênfase no consumo; na produção automatizada e no marketing; não contradiz o aumento da miséria e da exclusão social em todo o mundo. Um quadro no qual ainda cabe um veloz crescimento da epidemia de obesidade e sua conseqüente lipofobia; um horror visceral (e um combate acirrado) aos tecidos adiposos que conformam o corpo humano. Nesse contexto; longe de ter desaparecido; o fantasma da fome é abafado pelo fantasma da gordura; que alimenta estratégias individuais de estilização corporal e todo um mercado do aprimoramento físico. Bem delimitadas em termos sócio-culturais e econômicos; essas duas ameaças extremas assombram os sujeitos contemporâneos de formas bastante diversas e até mesmo contraditórias (e; provavelmente; também complementares). Em ambos os casos; embora de maneira perversamente distinta; impõe-se idêntico sacrifício: não comer. Por isso é tão intensa a corrida dos cientistas para descobrir entidades como o gene da obesidade (ou da magreza) e o hormônio da fome (ou da saciedade); que sejam capazes de desprogramar a vontade de comer e; sobretudo; a capacidade de engordar. Mas tal busca não visa a resolver o clássico problema da fome: pretende saciar os vorazes apetites daquela outra parcela da humanidade; insidiosamente assombrada pelo fantasma da gordura; que constitui um mercado dos mais promissores. Além disso; diversas práticas bio-ascéticas (musculação; dietas; cirurgias) também apontam para o mesmo sonho de dominar esse inefável lastro carnal; uma luta desigual na qual se almeja atingir uma virtualização imagética e desencarnada. Toda impureza orgânica deve ser repelida; mediante novos sacrifícios da carne que implicam intensos investimentos de dor; tempo e dinheiro. Numa gestão de si guiada por parâmetros empresariais de custo-benefício e pela constante negociação dos riscos; a responsabilidade individual constitui a base de toda uma série de condenações morais que estigmatizam certas aparências corporais. Assim; novas formas de ascetismo se desenvolvem na procura de um corpo construído como uma imagem insuflada pelo imaginário digital que permeia a nossa cultura: um corpo-ícone inspirado nas imagens e nos discursos midiáticos; um corpo exclusivamente desenhado para o consumo visual.
     
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