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Título:  
  Um olhar nacional para a Amazônia: apreendendo a floresta em textos de Euclides da Cunha
Autor:  
  Leandro Belinaso Guimarães   Listar as obras deste autor
Categoria:  
  Teses e Dissertações
Idioma:  
  Português
Instituição:/Parceiro  
  [cp] Programas de Pós-graduação da CAPES   Ir para a página desta Instituição
Instituição:/Programa  
  UFRGS/EDUCAÇÃO
Área Conhecimento  
  EDUCAÇÃO
Nível  
  Doutorado
Ano da Tese  
  2006
Acessos:  
  754
Resumo  
  A presente tese busca discutir processos e discursos que operaram na direção da nacionalização da Amazônia em um momento e circunstância específicos: o período da Primeira República brasileira. Para tanto; examinou-se um conjunto variado de textos (ensaios; cartas; relatórios; ofícios; livros; diários; artigos jornalísticos); especialmente os escritos por Euclides da Cunha sobre a floresta; privilegiando-se aqueles produzidos em decorrência de uma viagem oficial feita pelo referido autor em 1905; como chefe da Comissão Brasileira de Reconhecimento do Alto Purus; para colher dados acerca da delimitação territorial dessa área. A partir de dados colhidos nesta viagem; o governo brasileiro pretendia mapear o rio Purus em sua trajetória; desde a desembocadura em Manaus até suas cabeceiras no atual Estado do Acre; definindo; com tal mapeamento; as fronteiras noroestes do país em seus limites com a Bolívia e o Peru. A viagem foi patrocinada pelo Ministério das Relações Exteriores da República do Brasil e realizada conjuntamente com uma comissão do governo peruano. A investigação que desenvolvi nesta tese está inscrita no campo teórico dos Estudos Culturais e buscou inspiração; sobretudo; em suas versões latino-americanas. Dessa forma; foi central à pesquisa a consideração nas análises do conceito de hibridação cultural. Através dessa noção; buscou-se ampliar as articulações do estudo focalizado na tese a outros campos de saberes; ao colocarem-se em relação diferentes elementos que parecem ter atuado na invenção de um olhar efetivamente nacional para a Amazônia; naquele momento de inauguração da República. Assim; hibridar a Amazônia que emergia das páginas escritas por Euclides da Cunha refere-se ao ato investigativo de colocar em jogo elementos que muitas vezes poderiam ser vistos como paradoxais ou excludentes em outras perspectivas teóricas. Nessa pesquisa; no entanto; esses são configurados como atuantes; ao mesmo tempo; na instituição da Amazônia como um território nacional. Indico na tese que esteve em jogo neste processo: 1) a necessidade de ir lá ver a floresta com os próprios olhos (olhos muito próprios de um brasileiro com delegação oficial) para poder-se melhor narrá-la; 2) a incumbência oficial de proceder-se a escrituração dos rios desta região; para realizar a demarcação das fronteiras da nação; 3) o enfraquecimento das narrativas estrangeiras de viagem sobre a Amazônia; que também atuaram na promoção de um “desencantamento” de seu território; 4) a invenção de uma raça nacional tida como capacitada a desencadear a transformação da floresta e sua efetiva integração a um país clamante de progresso; de civilização e de desenvolvimento econômico; 5) e o combate ao nomadismo histórico de ocupação do seu território; que mantinha a floresta como desértica de civilização. Considera-se que todos estes aspectos - que articuladamente foram; segundo as análises processadas na tese; colocados em jogo nos textos amazônicos de Euclides da Cunha - operaram na direção de ensinar aos brasileiros daqueles tempos; sobretudo os incrustados no governo brasileiro; como se deveria enxergar a Amazônia; para que ela pudesse civilizar-se; desenvolver-se economicamente e integrar-se à nação. Enfim; nessa “pedagogia” que estava em operação nos textos euclidianos; foi imprescindível instituir um olhar efetivamente nacional; brasileiro; para a floresta.
     
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